A verdadeira disrupção no transporte: MaaS – Mobilidade como um serviço

28/08/2018

Com a conveniência em mente, o MaaS traz todos as opções de transporte e opções de pagamento para palma da mão do cliente, proporcionando acesso instantâneo a todos os serviços de mobilidade ofertado em uma determinada localidade.

Com MaaS, o incômodo de ter de navegar em um sistema complexo de prestadores de serviços passa a ser parte do passado. O MaaS vai revolucionar a forma em se deslocar, fazendo isto da forma mais natural e inteligente possível.

De forma simples: a mobilidade como um Serviço (MaaS) é a integração de várias formas de serviços de transporte em um único serviço sob demanda. Isto é, para atender a uma solicitação do cliente, um operador MaaS fornece um “cardápio” diversificado de opções de mobilidade: transporte público, carona, carro, bicicleta, táxi, veículo para aluguel, ou uma combinação destes.

Para tal, o MaaS combina perfeitamente as diferentes opções de transporte a partir de diferentes fornecedores, gerenciando tudo, desde o planeamento de viagens até os pagamentos. Dando a oportunidade para o cliente em adquirir créditos de viagens e/ou asinar um pacote mensal. O MaaS é ecossistema cuja a propriedade é privada fazendo com que a função do poder público seja em avaliar a qualidade do serviço prestado.

O conceito de MaaS nasceu na Finlândia onde já desempenha um papel fundamental no plano nacional de política de transportes. É amplamente reconhecido como uma inovação disruptiva, que irá alterar o transporte, por meio da “digitalização” e combinando o melhor de cada um dos aplicativos existentes.

Para o cliente, o MaaS agrega valor ao proporcionar que através da utilização de um único aplicativo e um único canal de pagamento o mesmo pode se deslocar entre os pontos A e B. E para os operadores, o MaaS agregar valor ao satisfazer as necessidades de deslocamento dos clientes e mitigar a improdutividade dos horários fora do pico de demanda..

O propósito do MaaS é oferecer uma alternativa ao uso do carro particular, criando uma sociedade mais sustentável e contribuir para reduzir o congestionamento e a limitações na capacidade de transporte ao menor custo.

As consequências positivas do MaaS são enormes para o mundo dos negócios. Uma vez que permite que empresas possam evitar os custo provenientes de grandes frotas de veículos ou o ineficiente (e caro) fretamento de seus funcionários. Em vez disso, o MaaS permite que as empresas ao avaliar as atuais necessidades de mobilidade possam oferecer mais opções de deslocamento, tais como alugar um carro, compartilhar viagens, uso de bicicletas, etc, ao menor custo possível. Seja este custo financeiro ou o tempo de deslocamento

MaaS nem tudo são flores

Na última sexta-feira (24.ago.18) estive em São Paulo para participar do evento promovido pela StartSe que tinha como tema o “Futuro da Mobilidade”. E ficou claro que atualmente estamos assistindo a mudança em relação aos deslocamentos urbanos de forma individualizada para a ideia da “Mobilidade como um Serviço (MaaS)” que surgiu como consequência das alterações nas percepções da sociedade causada pelo advento da UBER e seus congêneres:

as pessoas veem cada vez mais o transporte como algo que compram sob demanda tendo uma experiência de mobilidade personalizada.

Portanto o principal conceito por trás da MaaS consiste na combinação dos modos de transporte público, privado e compartilhado para oferecer soluções de mobilidade multimodais, integradas e “digitais” com base nas necessidades de viagem dos clientes.

As vantagens são múltiplas e abrangentes. Ao eliminar os incômodos e fornecer escolhas no planejamento dos trajetos , a MaaS permite aos consumidores viajar da maneira que melhor lhe corresponder. Além disso, uma vez que integra vários modos de transporte diferentes, as soluções MaaS podem potencialmente reduzir o número de veículos nas vias, contribuindo para a redução dos engarrafamentos e poluição das cidades.

Porém, existe uma questão precisa ser melhor debatida, e que não foi focada no evento:

qual seria o papel do transporte coletivo neste cenário? Seria somente mais uma opção no menu MaaS?

Pelas discussões no evento, não existe nada em relação a melhoria da competitividade do transporte coletivo e sim na criação e organização de novos “serviço complementares” e que no futuro tendem a ser concorrencial. E por isso transporte coletivo possivelmente não teria acréscimo na sua geração de valor ao usuário, pelo contrário, os meios complementares teriam um aumento na sua participação de mercado.

E neste cenário, é que surge a ideia de desenvolver o BaaS – Bus as a Service ou Ônibus como serviço. Que seria a criação de novos serviços complementares integrados ao transporte coletivo (utilizando diferentes tecnologias veiculares para o deslocamento coletivo) e que os mesmos fossem ofertados com a mesma lógica do MaaS porém sem envolver agentes (a não ser fornecedores) outsiders do transporte coletivo.

Isto é, seria perceber o sistema de transporte coletivo como Ecossistema vivo no qual todas partes cooperam para o melhor funcionamento do sistema. O transporte coletivo será a pedra angular da mobilidade urbana e os deslocamentos compartilhados e individuais seriam o elemento de entrada e/ou saída do sistema. Portanto,

Para desenvolvermos cidades inteligentes e sustentáveis para o futuro, temos que primordialmente investir na inovação, melhoria e requalificação dos sistemas de transportes coletivo

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