2018 ainda não foi o ano dos liberais, mas avançamos bastante

29/10/2018

Estamos vivenciando um momento histórico em relação a nossa situação política. Muito tem se falado que as eleições de 2018 levaram o país a uma guinada conservadora à direita, fruto da descrença da população em relação a velha política e na possibilidade do deputado Jair Bolsonaro ser o pivô da mudança.

Está situação tem causado um grande debate entre os liberais pois não existe um candidato realmente dito como liberal com condições de vitória e o Bolsonaro como o principal nome da “direita”.

Sendo assim, é possível afirmar que mesmo em declarações recentes, as falas do deputado ainda são opiniões genéricas. E se por um lado o presidente eleito Jair Messias Bolsonaro defende o livre de mercado (com o apoio do futuro ministro Paulo Guedes), o deputado federal agiu diferente. Por exemplo: se absteve de votar no Projeto de Lei da Terceirização (PL 4330/04). Tal postura levou muitos liberais a se posicionarem contra a eleição de Bolsonaro.

Ficou claro durante a campanha o confuso posicionamento “nacional desenvolvimentismo liberalista” de Jair Bolsonaro, no qual demonstra alguma simpatia por ideias de mercado enquanto apoia outras restrições, como a reserva de mercado de recursos como Nióbio. Já em relação aos costumes, embora defenda de forma veemente a revogação do estatuto do desarmamento, por seus pronunciamentos entende-se que é a favor da continuidade da guerra às drogas, contrário à adoção de crianças por casais gay e a favor de barreiras migratórias, pautas sólidas entre liberais.

Mas quem foram os eleitores desta candidatura? Percebe-se que eles não possuem relação com os posicionamentos econômicos do presidente eleito, tampouco por uma eventual defesa às liberdades civis. Atualmente Bolsonaro é percebido como a voz opositora ao modelo lulopetista de “transformação” dos valores da sociedade brasileira.

Outro ponto claro em relação ao presidente eleito é o seu interesse em aproveitar o movimento visto na terra tupiniquim que demanda menor participação do Estado na vida dos indivíduos e, dessa forma, promover-se eleitoralmente, mesmo que eventualmente tenham raízes no intervencionismo.

Em meio a tendência de se declarar liberal para se apresentar como “novidade”, dois casos despertaram maior atenção: Jair Bolsonaro e João Amoêdo, o primeiro com discurso de “liberdade econômica” e forte conservadorismo. E o segundo que realmente apresentou posicionamento liberal. Em resumo,  para exemplificar, o Bolsonaro é o nosso Trump e o Amoêdo o nosso Ron Paul.

O fenômeno Bolsonaro, portanto, apontou para o surgimento de uma reação “conservadora” e não de característica liberal, ou melhor, é na verdade, considerado um bastião de resistência das forças nacionais e tradicionais contra as ações “progressivas” do lulo-tucano-petismo.

Já João Amoedo não venceu as eleições presidenciais de 2018, mas conseguiu consolidar um surpreendente lugar na política nacional. Com uma campanha baseada em doações de eleitores, sem fundo partidário, sem propaganda partidária na TV e meios de comunicação, a “onda laranja/liberal” levantada pelo empresário teve cerca de 2,5% dos votos. Ficando na frente de Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB), chegando perto até mesmo de Alckmin (PSDB). Amoêdo, assim como Bolsonaro, teve nas redes sociais a sua principal base eleitoral.

Outro ponto de vitorioso dos liberais através do NOVO foi o seu avanço no cenário nacional. Vale ressaltar que o partido tem cerca de 25 mil filiados. Em 2016, elegeu 4 vereadores. Nesta eleição, porém, o partido ganhou mais espaço entre deputados federais e estaduais. Disputou governos do Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Destes venceu o governo de Minas Gerais, com Romeu Zema. Outra vitória deste ano foi no poder Legislativo. Foram eleitos 11 deputados estaduais e 8 deputados federais do partido, e uma deputada distrital. Veja abaixo a lista dos deputados federais e estaduais eleitos pelo Novo:

  • 11 Deputados Estaduais + 1 Distrital:
    • 4 em SP – Daniel José / Heni Ozi Cukier / Sérgio Victor / Ricardo Mellao
    • 3 em MG – Laura Serrano / Bartô do Novo / Guilherme da Cunha
    • 2 no RJ – Chicão Bulhões / Alexandre Freitas
    • 2 no RS – Fábio Ostermann / Giuseppe Riesgo
    • 1 no DF – Julia Lucy
  • 8 Deputados Federais:
    • 3 em SP – Vinicius Poit / Adriana Ventura / Alexis
    • 2 em MG – Tiago Mitraud / Lucas Gonzalez
    • 1 no RJ – Paulo Ganime
    • 1 no RS – Marcel Van Hattem
    • 1 em SC – Gilson Marques

Outro ponto importante para o cenário político entre os liberais foi quando no dia 05 de janeiro de 2018, o deputado Jair Bolsonaro anunciou sua filiação ao Partido Social Liberal (PSL). Segue a parte da nota:

“É com muito orgulho que o PSL recebe o deputado Jair Bolsonaro e sua pré-candidatura a Presidência da República. Outrossim, é com muita honra que o deputado se sente abrigado pela legenda, e muito à vontade em um partido onde existe total comunhão de pensamentos”, diz o texto.

Outro ponto interessante do comunicado ainda afirma é relacionado da prioridade do “pensamento econômico liberal, sem qualquer viés ideológico, assim como, o soberano direito a propriedade privada e a valorização das forças armadas e de segurança” e “preservar as instituições” e “defender os valores e princípios éticos e morais da família brasileira” também são citados o chavão: “desejos de mudança” de Jair Bolsonaro.

Tal situação seria natural se não fosse o fato do PSL ser o berço do Livres (movimente liberal / libertário que estava crescendo no partido). A divergência do Livres com Jair Bolsonaro pode ser dividida em um bom punhado de categorias, como diferenças ideológicas, políticas, programáticas, econômicas e filosóficas.  E o Livre por meio do presidente do diretório gaúcho do PSL teceu criticas mais contundentes do que as minhas em relação ao posicionamento do deputado carioca:

“Não tem nada de liberal. É o tipo de caudilho latino-americano, populista. É um defensor da ditadura. É uma figura com uma trajetória lamentável na política brasileira, fruto também deste momento de polarização que vivemos”.

Na época da ruptura do Livres com o PSL, escrevi no meu blog:

“E quanto ao Livres, eu ficaria dentro do partido e travaria uma batalha em relação aos posicionamentos do Bolsonaro e isto seria como a luta sempre inglória do ex-congressista americano Ron Paul que lutava dentro do partido Republicano e fez notório as suas ideias em defesa da liberdade”

Em 2018 o PSL conseguiu eleger: Bolsonaro para presidente, 3 governadores (Santa Catarina, Rondônia e Roraima) além de 53 deputados federais e 4 senadores.

Já o Livres  mesmo com a ‘ruptura’, em 2018 o movimento, agora suprapartidário, elegeu sua própria #BancadaDaLiberdade, como o Livres classificou os eleitos na internet. Ao todo, foram oito congressistas. São eles:

  • Rodrigo Cunha (PSDB-AL) para o senado
  • Tiago Mitraud (Novo-MG) deputado federal
  • Marcelo Calero (PPS-RJ) deputado federal
  • Fabio Ostermann (Novo-RS) deputado estadual
  • Bruno Souza (PSB-SC), deputado estadual
  • Davi Maia (DEM-AL), deputado estadual
  • Guilherme da Cunha (Novo-MG), deputado estadual
  • Daniel José (Novo-SP), deputado estadual

Tais resultados demonstraram o equivoco feito pelo LIVRES que preferiu se posicionar junto a partidos historicamente de esquerda (PPS e PSB) do que fortalecer e engrandecer mais os quadros do PSL. Continua acreditando que a arrogância e o preconceito em relação ao nome do então deputado federal Jair Bolsonaro quase destruiu o movimento.

Sendo assim, dificilmente o ano de 2018 poderia ser definido como o ano dos liberais, mas pode ser o início da inserção das ideias pró liberdade à sociedade brasileira que ama e defende o estado mesmo não confiando nos seus governantes.

Foi um momento histórico, porém de semear e não de colheita.

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