{"id":343,"date":"2020-08-03T20:53:45","date_gmt":"2020-08-03T20:53:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transportelibertario.com\/?p=343"},"modified":"2020-08-03T20:53:45","modified_gmt":"2020-08-03T20:53:45","slug":"os-6-elementos-obvios-e-fundamentais-sobre-transporte-publico-que-ninguem-te-contou-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=343","title":{"rendered":"Os 6 elementos \u00f3bvios e fundamentais sobre transporte p\u00fablico que ningu\u00e9m te contou"},"content":{"rendered":"\n<p>A omiss\u00e3o destes seis conceitos essenciais vem sendo um grande desservi\u00e7o que os formadores de opini\u00e3o, imprensa, pol\u00edticos, professores aos indiv\u00edduos que utilizam o servi\u00e7o. Pois criam alguns mitos e fal\u00e1cias que dificultam o entendimento quanto a complexidade do sistema e quais seriam as principais causas das suas inefici\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Somente indiv\u00edduos possuem desejos, e somente indiv\u00edduos se deslocam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sempre escutamos que o transporte p\u00fablico \u00e9 \u201ca forma de comparte da sociedade se desloca pelo espa\u00e7o urbano\u201d.&nbsp; Essa defini\u00e7\u00e3o trata o transporte como uma solu\u00e7\u00e3o para os deslocamentos da coletividade, sendo assim deixa de fora o mais importante: o indiv\u00edduo. E somente indiv\u00edduos tomam decis\u00f5es, e somente indiv\u00edduos agem de acordo com essas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ignorar o princ\u00edpio de que os deslocamentos se baseiam na escolha individual, est\u00e1 forma de pensar o transporte, perde a oportunidade de fazer com que o servi\u00e7o seja relevante para os usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O transporte passar a ter valor quando o mesmo consegue atender as necessidades individuais dos usu\u00e1rios. Para isso o sistema tem que conhecer cada dia mais qual o perfil dos seus usu\u00e1rios. Quais as suas necessidades, quais as suas expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O valor da tarifa \u00e9 subjetivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 mais valioso: ingressos para final do campeonato goiano ou um livro sobre transportes?&nbsp; Isto depende dos interesses de quem vai adquirir o produto\/servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos que valoramos s\u00f3 se tornam valiosos para n\u00f3s quando comparados \u00e0s alternativas dispon\u00edveis; quando s\u00e3o vistos dentro do nosso plano de satisfazer algum objetivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s alternativas dispon\u00edveis. Sendo assim, a tarifa do transporte p\u00fablico \u00e9 considerada cara ou barata quando comparada por meio de seus atributos com outra forma de deslocamento. Dependendo da qualidade do servi\u00e7o prestado, at\u00e9 a tarifa zero pode ser cara.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, valorar algum bem ou servi\u00e7o significa escolher entre esse bem ou servi\u00e7o e bens e servi\u00e7os alternativos. Quando fazemos as escolhas, isto \u00e9, quando agimos, o fazemos acreditando que aquela escolha, ou aquela a\u00e7\u00e3o, ir\u00e1 nos proporcionar satisfa\u00e7\u00e3o maior do que a satisfa\u00e7\u00e3o que os outros bens e servi\u00e7os proporcionariam.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, o valor est\u00e1 nos olhos de quem percebe. Por isso quando um jornalista diz que a tarifa da cidade A \u00e9 a mais cara do Brasil, ele comete um grande erro de an\u00e1lise pois s\u00f3 considerada o valor nominal da mesma<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. O problema da centraliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma pessoa ou grupo de pessoas possui o conhecimento suficiente para planejar sozinha um sistema de transporte.&nbsp; Muito menos para planejar as a\u00e7\u00f5es de centenas de milhares de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento dos dados surge continuamente em decorr\u00eancia da intera\u00e7\u00e3o livre e espont\u00e2nea dos usu\u00e1rios, do espa\u00e7o urbano e das empresas operadoras.&nbsp; Essas intera\u00e7\u00f5es, que ocorrem diariamente, produzem uma multiplicidade de informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o imposs\u00edveis de serem apreendidas e processadas pelo Estado que \u00e9 o planejador do servi\u00e7o.&nbsp; E essas informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o constantemente mudando de acordo com as altera\u00e7\u00f5es nas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 imposs\u00edvel planejar de forma centralizada tudo isso.&nbsp; Foi F.A. Hayek quem melhor enfatizou e explicou o qu\u00e3o literalmente imposs\u00edvel \u00e9 para uma autoridade central coletar, agregar e utilizar esse tipo de conhecimento circunstancial de modo a efetivamente planejar uma sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto o Estado sozinho \u00e9 incapaz de oferecer um transporte p\u00fablico eficiente e aderente as reais necessidades de deslocamento da popula\u00e7\u00e3o, fazendo com que o servi\u00e7o se desvalorize mais e mais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Aquilo que se v\u00ea e aquilo que n\u00e3o se v\u00ea<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os formadores de opini\u00e3o s\u00e3o r\u00e1pidos em apresentar resultados e consequ\u00eancias facilmente percept\u00edveis (lota\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus, atrasos, insatisfa\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios, falta de infraestrutura\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>E aquilo que n\u00e3o se v\u00ea?&nbsp; S\u00e3o poucos, para n\u00e3o generalizar e dizer nenhum, os que conseguem perceber as causas n\u00e3o-vis\u00edveis dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A jaula que \u00e9 o \u201ccontrato de concess\u00e3o\u201d que aprisiona os operadores e os impedem de buscar novas solu\u00e7\u00f5es. As gratuidades e benef\u00edcios tarif\u00e1rios que oneram a tarifa para o usu\u00e1rio e diminuem o ganho dos operadores, impactando assim os investimentos. As decis\u00f5es pol\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao reajuste tarif\u00e1rio e a oferta de servi\u00e7o em regi\u00f5es\/dias\/hor\u00e1rios n\u00e3o produtivo. A fiscaliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica que tem como objetivo central arrecadar mais recursos para o Estado, sem se preocupar com a melhoria do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o percebe-se que \u00e9 mais f\u00e1cil, colocar toda a culpa em rela\u00e7\u00e3o a baixa qualidade do servi\u00e7o prestado para o operado e n\u00e3o apresentar e discutir com a sociedade as formas de tornar o transporte p\u00fablico mais competitivo e atrativo para sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nunca escutamos ou lemos que o transporte p\u00fablico deveria ser gerido com espirito empreendedor buscando sempre a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de valor econ\u00f4mico \u00e9 um processo uma fun\u00e7\u00e3o-chave nesse processo de resgate do transporte.&nbsp; Empreendedores criam riqueza ao alocar corretamente recursos escassos (\u00f4nibus\/motorista\/quilometragem) para \u00e1reas em que a demanda do consumidor \u00e9 maior, gerando mais produtividade. Eles podem fazer isso criando novos servi\u00e7os, ao inovar processos que ir\u00e3o substituir os antigos e ao descobrir oportunidades ainda n\u00e3o percebidas de mercado, agindo ent\u00e3o em cima dessas oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Empreendedorismo \u00e9 perceber oportunidades que n\u00e3o est\u00e3o especificadas nos dados.&nbsp; \u00c9 o ato de ver uma nova maneira de alocar meios para alcan\u00e7ar um fim.&nbsp; Empreendedorismo n\u00e3o \u00e9 apenas tentar melhorar algo que j\u00e1 existe, \u00e9 transformar.<\/p>\n\n\n\n<p>Lamentavelmente, o nosso modelo atual, como apresentado no item anterior, est\u00e1 amarrado ao \u201ccontrato de concess\u00e3o\u201d, somado com a grande interven\u00e7\u00e3o do Estado, sufocam os operadores em inovar. Pois \u00e9 mais f\u00e1cil transferir responsabilidades ao operador, do que transferir tamb\u00e9m a liberdade para inovar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Pare de acreditar no Estado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos sempre ouvindo que estado tem que intervir no transporte para mitigar as \u201cfalhas de mercado\u201d.&nbsp; E ele \u00e9 r\u00e1pido em oferecer explica\u00e7\u00f5es que mostram como o Estado pode teoricamente melhorar os resultados do transporte<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, quase n\u00e3o \u00e9 falado, sobre a possibilidade das falhas serem causadas pelo pr\u00f3prio Estado.&nbsp; E \u00e9 fato que a interven\u00e7\u00e3o estatal no transporte sempre torna as coisas piores.&nbsp; \u00c9 um caso t\u00edpico de a cura ser pior do que a doen\u00e7a. Ademais, n\u00e3o h\u00e1 qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre quem ir\u00e1 regular os reguladores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mark Twain certa vez disse: \u201cO que lhe causa problemas n\u00e3o \u00e9 aquilo que voc\u00ea n\u00e3o sabe, mas sim aquilo que voc\u00ea jura saber, mas que est\u00e1 errado\u201d. No caso do transporte, s\u00e3o infelizmente ambas as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel perceber como os formadores de opini\u00e3o criam semana a semana pautas sensacionalistas com o objetivo simples de fazer barulho e n\u00e3o de clarear a situa\u00e7\u00e3o, apontando os problemas e discutindo as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, o transporte p\u00fablico no Brasil caminha vigorosamente a autodestrui\u00e7\u00e3o. E quando isto acontecer, culpar\u00e3o somente os operadores, e reestruturar\u00e3o o servi\u00e7o com os mesmos erros do passado e que novamente se autodestruir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInsanidade \u00e9 continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes\u201d Albert Einstein<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A omiss\u00e3o destes seis conceitos essenciais vem sendo um grande desservi\u00e7o que os formadores de opini\u00e3o, imprensa, pol\u00edticos, professores aos indiv\u00edduos que utilizam o servi\u00e7o. Pois criam alguns mitos e fal\u00e1cias que dificultam o entendimento quanto a complexidade do sistema e quais seriam as principais causas das suas inefici\u00eancias. 1. 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