{"id":228,"date":"2018-05-07T15:31:11","date_gmt":"2018-05-07T15:31:11","guid":{"rendered":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=228"},"modified":"2018-05-07T15:31:11","modified_gmt":"2018-05-07T15:31:11","slug":"saude-um-caos-a-ser-vencido-pelo-proximo-presidente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=228","title":{"rendered":"Sa\u00fade, um caos a ser vencido pelo pr\u00f3ximo presidente"},"content":{"rendered":"<p>Antes de come\u00e7ar \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma breve apresenta\u00e7\u00e3o sobre os tipos de sistema de sa\u00fade que existem. A ideia \u00e9 simples: mostrar o que cada sistema tem na pratica. Nesse sentido, \u00e9 bom relembrar o economista americano Thomas Sowell, que, ao comentar sobre qualquer pol\u00edtica p\u00fablica, lembra que devemos sempre pensar no caminho a seguir com base em uma an\u00e1lise cuidadosa de pr\u00f3s e contras, e n\u00e3o somente em discursos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o usada aqui para sistemas de sa\u00fade ter\u00e1 como foco basicamente duas coisas: o ente pagador e o n\u00edvel de regula\u00e7\u00e3o.\u00a0 Desta forma, analisando tanto o aspecto de pagamento como o de regulamenta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o corremos o risco de definir erradamente o que \u00e9 um livre mercado de sa\u00fade. Sendo assim podemos classificar em tr\u00eas grandes tipos de sistemas de sa\u00fade: i) medicina socializada &#8211; financiamento e provimento p\u00fablicos; ii) sistema misto &#8211; provimento privado mas regulado pelo estado; iii) e o livre mercado, financiado e regulado por entes privados.<\/p>\n<p>Atualmente a maioria dos sistemas de sa\u00fade (seja europeu, americano ou brasileiro) est\u00e1 pr\u00f3ximo ao colapso pois a presen\u00e7a estatal \u00e9 forte. Mas diferentemente do que usado como justificativa daqueles que defendem a participa\u00e7\u00e3o estatal, isso demonstra n\u00e3o uma falha de mercado, mas, sim, uma falha de governo.<\/p>\n<p>Portanto \u00e9 de suma import\u00e2ncia levarmos a discuss\u00f5es eleitorais de 2018 a reforma do sistema de sa\u00fade. Para ter um bom exemplo da situa\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o \u00e9 somente um problema tupiniquim) uma pesquisa do canadense Instituto Fraser, o tempo m\u00e9dio de espera para pacientes canadenses que necessitam de tratamentos m\u00e9dicos \u2014 desde a consulta a um cl\u00ednico geral, o qual indica um especialista, at\u00e9 a data efetiva do tratamento \u2014 foi de 21,2 semanas em 2017. Ou seja, quase cinco meses de espera.<\/p>\n<p>Agora reflita: se o seu m\u00e9dico descobrir que suas art\u00e9rias est\u00e3o entupidas, voc\u00ea ter\u00e1 de esperar na fila por mais de um m\u00eas, com a possibilidade iminente de uma morte por ataque card\u00edaco.<\/p>\n<p>Por isso, um sistema de sa\u00fade controlado pelo governo, \u00e9 o estado quem determina quem pode receber tratamento, como e quando. Assim como em uma economia sob controle de pre\u00e7os, a oferta sempre ir\u00e1 se exaurir perante a demanda.<\/p>\n<p>E ao se analisar o funcionamento do SUS pode-se concluir que o real desafio est\u00e1 em perceber como a medicina socializada (pois parte do princ\u00edpio de que sa\u00fade \u00e9 um direito do cidad\u00e3o e e que, por conseguinte, a oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade deve ser ilimitada) afeta a oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade ditos privados (que na verdade s\u00e3o mistos) e como as regulamenta\u00e7\u00f5es impostas pelo governo sobre as seguradoras de sa\u00fade ajudam a piorar todo a servi\u00e7o de sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Infelizmente, por\u00e9m, a l\u00f3gica econ\u00f4mica, que n\u00e3o aceita desaforos, n\u00e3o nos permite tais devaneios, e o fato de existir a escassez \u00e9 uma verdade v\u00e1lida tamb\u00e9m para os servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00a0E como os recursos para a sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o infinitos, mas a demanda \u00e9 \u00a0o governo logo se v\u00ea obrigado a impor v\u00e1rios controles de custo.\u00a0 Os tecnocratas estabelecem um teto de gastos na sa\u00fade que n\u00e3o pode ser superado mas sem restringir a demanda crescente.<\/p>\n<p>Consequentemente, com oferta limitada e demanda infinita, ocorre o inevit\u00e1vel: escassez.\u00a0 Ato cont\u00ednuo, come\u00e7am a surgir filas de espera para tratamentos, cirurgias, rem\u00e9dios e at\u00e9 mesmo consultas de rotina. Privilegio n\u00e3o s\u00f3 brasileiro com tamb\u00e9m canadense, ingl\u00eas, sueco&#8230;.<\/p>\n<p>Outro exemplo interessante \u00e9 o sistema alem\u00e3o, que combina competi\u00e7\u00e3o entre seguradoras privadas, contribui\u00e7\u00e3o individual e livre escolha do consumidor tem realmente um melhor desempenho em rela\u00e7\u00e3o ao canadense, brasileiro e ingl\u00eas, que s\u00e3o mais estatizado.<\/p>\n<p>Na Alemanha, por exemplo, a espera por cirurgia eletiva raramente ultrapassa 4 meses; no Canad\u00e1, esse mesmo tempo de espera afeta 25% dos pacientes.\u00a0 Al\u00e9m disso, 7% dos alem\u00e3es esperam mais de 2 meses para agendar uma consulta com um especialista.\u00a0 No Canad\u00e1, essa porcentagem salta para 41%.<\/p>\n<p>No modelo alem\u00e3o nunca \u00e9 demais enfatizar que a sa\u00fade \u00e9 responsabilidade de cada indiv\u00edduo, de cada fam\u00edlia, sendo que todos devem ter o direito de manter para si os frutos de seu trabalho e de poderem utilizar seu dinheiro da forma que quiserem, tendo a liberdade de escolher os servi\u00e7os m\u00e9dicos que desejarem, e com a responsabilidade de encarar as consequ\u00eancias de suas escolhas.<\/p>\n<p>Fica claro que sempre que voc\u00ea quiser servi\u00e7os de alta qualidade a pre\u00e7os baixos, voc\u00ea tem de ter um livre mercado, uma livre concorr\u00eancia. N\u00e3o existe nenhuma outra op\u00e7\u00e3o.\u00a0 Quem acha que ofertar bens gratuitamente, criar uma montanha de regulamenta\u00e7\u00f5es e impor controles de pre\u00e7os \u00e9 a receita para bons servi\u00e7os, deve se preparar para uma grande decep\u00e7\u00e3o.\u00a0 Isso nunca funcionou ou funcionar\u00e1 de forma sustent\u00e1vel em lugar nenhum do mundo.<\/p>\n<p>J\u00e1 os defensores do intervencionismo buscam por meio dele a satisfa\u00e7\u00e3o de sua \u00e2nsia por &#8216;justi\u00e7a social&#8217;; no entanto, quanto maior o grau de dirigismo, maiores suas consequ\u00eancias n\u00e3o-premeditadas: as quais v\u00e3o desde um eventual desequil\u00edbrio contratual at\u00e9 o completo solapamento do sistema de sa\u00fade suplementar, prejudicando toda a coletividade de usu\u00e1rios do sistema.<\/p>\n<p>Fica claro ent\u00e3o que diante do intervencionismo estatal, \u00e9 compreens\u00edvel que o mercado de sa\u00fade brasileiro enfrente t\u00e3o grave crise. Parafraseando Aldous Huxley, os fatos n\u00e3o deixam de gerar consequ\u00eancias somente porque s\u00e3o ignorados pelo debate p\u00fablico. Uma vez que querer ter acesso a bens e servi\u00e7os sem ter desempenhado nada a ningu\u00e9m significa simplesmente querer escravizar terceiros. Se n\u00e3o fosse por este corrompido encanto de que \u00e9 poss\u00edvel ter algo em troca de nada, as pessoas h\u00e1 muito j\u00e1 teriam rejeitado a ideia de que os seus desejos por um sa\u00fade gratuita e de qualidade implicam direitos.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e0 medida que cada vez mais benesses v\u00e3o sendo acrescentadas \u00e0 lista de &#8220;direitos&#8221;, as pessoas est\u00e3o se tornando cada vez mais propensas a acreditar que o esbulho disponibilizado por esses direitos inventados \u00e9 moralmente superior aos fardos que eles imp\u00f5em a terceiros e fazendo que cada um destes direitos (e nele inclu\u00eddo a sa\u00fade) fica cada vez mais dif\u00edcil de ser oferecido. E se a atual tend\u00eancia desta no\u00e7\u00e3o de que desejos s\u00e3o direitos n\u00e3o for revertida, nossa cobi\u00e7a pela propriedade alheia ir\u00e1 nos corromper ainda mais ao ponto em que ningu\u00e9m vai querer gerar riqueza pois o estado ir\u00e1 suprir em tudo a popula\u00e7\u00e3o. Algo semelhante ocorreu na Venezuela Bolivariana<\/p>\n<p>Mas a solu\u00e7\u00e3o do caos na sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 simples. N\u00e3o basta colocar empres\u00e1rios na pol\u00edtica (que \u00a0podem, obviamente, fazer bons governos). Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum motivo para se acreditar que isso \u00e9 uma regra. Tampouco faz sentido acreditar que, s\u00f3 porque um determinado empres\u00e1rio foi bem-sucedido em seu ramo, ele ser\u00e1 um \u00f3timo pol\u00edtico. Mises j\u00e1 havia observado todos estes problemas ainda em 1912. Disse ele:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAtualmente, h\u00e1 muitas pessoas que, impressionadas com o ac\u00famulo de riqueza de alguns empreendedores, perderam sua compreens\u00e3o b\u00e1sica sobre a ci\u00eancia econ\u00f4mica, buscando respostas simples e f\u00e1ceis para problemas complexos. \u00c9 crucial relembrar que a ci\u00eancia econ\u00f4mica envolve muito mais do que um jornalista perguntar a um banqueiro ou a um magnata industrial o que eles pensam da atual situa\u00e7\u00e3o da economia.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Portanto, devemos avaliar dos candidatos qual ser\u00e1 seu posicionamento frente a interven\u00e7\u00e3o estatal no sistema de sa\u00fade. O melhor \u00e9 aquele que defender o fim do SUS e o pior para o Sistema de Sa\u00fade ser\u00e1 aquele que defender o modelo atual e afirmar que ir\u00e1 amplia-lo com intuito de aumentar a sua abrang\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-229\" src=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sus-750x410-1-300x164.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"164\" srcset=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sus-750x410-1-300x164.jpg 300w, http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sus-750x410-1.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>O sistema de sa\u00fade universal no Canad\u00e1: um colossal fracasso estatal <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2884\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2884<\/a><\/p>\n<p>Como Mises explicaria a realidade do SUS? <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=923\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=923<\/a><\/p>\n<p>Quatro medidas para melhorar o sistema de sa\u00fade <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=105\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=105<\/a><\/p>\n<p>Um breve manual sobre os sistemas de sa\u00fade &#8211; e por que \u00e9 imposs\u00edvel ter um SUS sem fila de espera <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2029\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2029<\/a><\/p>\n<p>Verdades inconvenientes sobre o sistema de sa\u00fade sueco <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=1824\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=1824<\/a><\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre os servi\u00e7os de sa\u00fade da Alemanha e do Canad\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2016#\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2016#<\/a><\/p>\n<p>Na \u201cinvejada\u201d sa\u00fade estatal brit\u00e2nica, os pacientes est\u00e3o morrendo nos corredores dos hospitais <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2835\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2835<\/a><\/p>\n<p>Como o intervencionismo estatal est\u00e1 destruindo o mercado de sa\u00fade privado brasileiro <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2699\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2699<\/a><\/p>\n<p>\u201cMeu desejo \u00e9 um direito! Se quero algo, devo receber gratuitamente!\u201d &#8211; eis o atalho para a trag\u00e9dia. A imoral ideia de que desejos implicam direitos <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2799\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2799<\/a><\/p>\n<p>Alguns pontos b\u00e1sicos sobre a liberdade &#8211; os quais muitas pessoas ainda n\u00e3o conseguem aceitar <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2865\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2865<\/a><\/p>\n<p>Empres\u00e1rios na pol\u00edtica: bom ou ruim? <a href=\"https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2872\">https:\/\/www.mises.org.br\/Article.aspx?id=2872<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de come\u00e7ar \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma breve apresenta\u00e7\u00e3o sobre os tipos de sistema de sa\u00fade que existem. A ideia \u00e9 simples: mostrar o que cada sistema tem na pratica. 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