{"id":168,"date":"2017-07-31T21:10:22","date_gmt":"2017-07-31T21:10:22","guid":{"rendered":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=168"},"modified":"2017-07-31T21:10:22","modified_gmt":"2017-07-31T21:10:22","slug":"liberdade-antes-que-tardia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=168","title":{"rendered":"Liberdade antes que tardia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-169\" src=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/read-rothbard-257x300.jpg\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/read-rothbard-257x300.jpg 257w, http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/read-rothbard.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 257px) 100vw, 257px\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma boa conversa no Facebook sobre \u201cdireita liberal\u201d na qual defendi a tese que n\u00e3o existe uma direita liberal (pois tenho como cren\u00e7a que para ser liberal de fato n\u00e3o deveria existir Estado e que no pr\u00f3prio termo \u201cdireita\u201d j\u00e1 est\u00e1 incluso a necessidade de existir um ente estatal) percebi que existem de fato poucos liberais no Brasil, e destes a maioria est\u00e3o firmados na Liberalismo Cl\u00e1ssico. E com isso fiquei bastante reflexivo em rela\u00e7\u00e3o as ideias da liberdade em solo tupiniquim.<\/p>\n<p>Coincidentemente na p\u00e1gina do Mises Institute estava com um post \u201cFor New Libertarian\u201d, escrito pelo pr\u00f3prio presidente do instituto o Senhor Jeff Deist e que se mostrou bastante aderente com a minha recente preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a falta de relev\u00e2ncia do discurso pr\u00f3 liberdade no cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O texto utiliza sabiamente o pensamento de Murray Rothbard :<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O libertarianismo \u00e9 uma filosofia que busca uma pol\u00edtica.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>E se indaga se atualmente o correto n\u00e3o seria afirmar que<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;o libertarianismo \u00e9 uma filosofia que busca melhores libert\u00e1rios&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta cr\u00edtica \u00e9 em decorr\u00eancia da supervaloriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a advinda da \u201crevolu\u00e7\u00e3o digital\u201d e da globaliza\u00e7\u00e3o. Mas se esquecem do fato que estas mesmas for\u00e7as podem tamb\u00e9m serem apropriadas pelo Estado. Portanto devemos desconfiar da no\u00e7\u00e3o determinista de que existe um enredo inevit\u00e1vel para a hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>E que, enquanto a humanidade continuar a existir, sua teimosia de formar governos continuar\u00e1 sendo um \u00e1rduo problema. E que nenhuma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica como: o surgimento da imprensa, a revolu\u00e7\u00e3o industrial, a eletricidade, alteraram esta situa\u00e7\u00e3o e que, portanto, n\u00e3o podemos assumir que a nossa liberta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Estado venha atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>A teoria \u00e9 linda, simples e l\u00f3gica. E, \u00e9 claro, que pelo menos um grau destes tr\u00eas elementos &#8211; liberdade individual, direitos de propriedade e um regramento que protege os dois anteriores &#8211; s\u00e3o necess\u00e1rios e que liberdade e o progresso da humanidade est\u00e3o inextricavelmente ligados.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, temos a teoria Rothbardiana da liberdade. Mas que segundo o autor n\u00e3o \u00e9 o suficiente. E Murray foi inflex\u00edvel sobre isso. Ele foi o primeiro a enfatizar a import\u00e2ncia das pessoas e do ativismo, n\u00e3o apenas ideias e educa\u00e7\u00e3o. Mas que tipo de pessoas e que tipo de ativismo? Essa foi a quest\u00e3o no tempo de Murray, e ainda \u00e9 a quest\u00e3o hoje. E o autor separou em tr\u00eas pontos:<\/p>\n<p><strong>1. A liberdade \u00e9 natural e org\u00e2nica.<\/strong><\/p>\n<p>Se houver um ponto primordial, devemos nos lembrar que a liberdade \u00e9 natural e org\u00e2nica e \u00e9 inerente a a\u00e7\u00e3o humana, portanto n\u00e3o exige um &#8220;homem novo&#8221;. No entanto, os libert\u00e1rios falham ao retratar a liberdade como uma nova era, uma evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, eles podem parecer muito progressistas: a liberdade funcionar\u00e1 quando o ser humano finalmente derramar suas velhas e obstinadas ideias de fam\u00edlia e tribo, tornar-se puramente racionais (livremente o oposto), rejeitar a mitologia da religi\u00e3o e da f\u00e9. E \u00e9 claro que a humanidade n\u00e3o tem como se \u201cesvaziar. Os indiv\u00edduos s\u00e3o fr\u00e1geis e fal\u00edveis, hier\u00e1rquicos e irracionais e semelhantes ao rebanho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, podemos entender a liberdade como uma abordagem profundamente pragm\u00e1tica para a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, que resolva problemas e conflitos com as melhores solu\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias e privadas dispon\u00edveis. Lembrando que vamos lutar pelo melhor, e n\u00e3o pelo perfeito, este deve ser o nosso lema<\/p>\n<p><strong>2.Abrace em vez de rejeitar as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil<\/strong><\/p>\n<p>O segundo ponto diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria sociedade civil. Porque, enquanto os libert\u00e1rios adotam com entusiasmo os mercados, h\u00e1 d\u00e9cadas cometeu o erro desastroso de se posicionar contra \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 religi\u00e3o, \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura, ou seja, \u00e0 pr\u00f3pria sociedade civil.<\/p>\n<p>O que \u00e9 bizarro se pensarmos sobre isso. A sociedade civil fornece os mecanismos que precisamos para organizar a sociedade sem o estado. E, de acordo com o ponto de Rothbard sobre a liberdade e a natureza humana, a sociedade civil organiza-se organicamente, sem for\u00e7a. Os seres humanos querem ser parte de algo maior que eles mesmos. Por que os libert\u00e1rios n\u00e3o conseguem entender isso?<\/p>\n<p>O autor defende que a sociedade civil deve ser defendida pelos libert\u00e1rios em cada sentido. Caso contr\u00e1rio \u00e9 ignorar o que os humanos realmente querem e realmente fazer: criar comunidades. H\u00e1 uma palavra para pessoas que acreditam em nada: n\u00e3o governo, fam\u00edlia, deus, sociedade, moralidade ou civiliza\u00e7\u00e3o. E essa palavra \u00e9 niilista, n\u00e3o libert\u00e1ria<\/p>\n<p><strong>3. O universalismo pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 o objetivo<\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo ponto \u00e9 a teimosia dos libert\u00e1rios de defenderem algum tipo de arranjo pol\u00edtico universal. Na medida em que existe um fim pol\u00edtico para os libert\u00e1rios, \u00e9 permitido aos indiv\u00edduos viverem o que acharem conveniente. O objetivo pol\u00edtico \u00e9 a autodetermina\u00e7\u00e3o, procurando reduzir o tamanho, alcance e poder do estado. Mas a ideia de princ\u00edpios libert\u00e1rios universais se confundiu com a ideia de pol\u00edtica libert\u00e1ria universal. Viver e deixar viver foi substitu\u00eddo pela no\u00e7\u00e3o de doutrina libert\u00e1ria universal, muitas vezes associada a um elemento cultural.<\/p>\n<p>A doutrina universalista \u00e9 algo assim: o voto democr\u00e1tico \u00e9 o direito pol\u00edtico sagrado num mundo p\u00f3s-mon\u00e1rquico. Isso resulta em democracias sociais com redes de seguran\u00e7a robustas, capitalismo regulado, prote\u00e7\u00f5es legais para mulheres e minorias e normas amplamente aceitas em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es sociais. As concep\u00e7\u00f5es ocidentais de direitos civis agora se aplicam em todos os lugares, e com a tecnologia podemos unir as antigas fronteiras dos estados-na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta narrativa faz libert\u00e1rios in\u00f3cuo, pois o universalismo fornece os fundamentos filos\u00f3ficos para o globalismo, mas o globalismo n\u00e3o \u00e9 liberdade: em vez disso, amea\u00e7a criar novos n\u00edveis de centralidade e governo. E o universalismo n\u00e3o \u00e9 lei natural; na verdade, muitas vezes \u00e9 diretamente contr\u00e1rio com a natureza humana e sua diversidade.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que Mises rejeitou o universalismo e viu a autodetermina\u00e7\u00e3o como o maior fim pol\u00edtico. Rothbard fez quest\u00e3o de que as na\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas se separem das na\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em uma das \u00faltimas coisas que ele escreveu.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a autodetermina\u00e7\u00e3o \u00e9 o objetivo pol\u00edtico final. \u00c9 o caminho para liberdade, por mais imperfeito que seja. A descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a secess\u00e3o, a subsidiariedade e a anula\u00e7\u00e3o s\u00e3o todos mecanismos que nos aproximam do nosso objetivo pol\u00edtico de autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao final do texto Jeff Deist fez uma pergunta interessante: Pelo o que voc\u00ea lutaria? E a reflex\u00e3o foi bastante interessante pois deixou claro que dificilmente lutamos por ideias que nos parecem distantes e sim por aquilo que est\u00e1 pr\u00f3ximo, isto \u00e9, aquilo que nos pertence.<\/p>\n<p>E \u00e9 neste ponto que o discurso pela liberdade perde for\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao discurso do \u201camparo social\u201d, pois a liberdade como \u00e9 apresentada, como algo frio e sem alma n\u00e3o tem a atra\u00e7\u00e3o que o discurso estatizante dos socialistas que lutam pelo \u201cbem das minorias\u201d<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s libert\u00e1rios e defensores da liberdade, devemos lutar para demostrar que o conceito de liberdade vai al\u00e9m do livre-mercado, e sim da manuten\u00e7\u00e3o dos direis individuas e da propriedade privada. E para isso devemos lembrar sempre do mandamento dito pelo nosso Senhor Jesus Cristo:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201camai ao pr\u00f3ximo com a ti mesmo\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o para poder amar meu semelhante eu devo tamb\u00e9m me amar e, portanto, para defender a minha comunidade\/na\u00e7\u00e3o deve tamb\u00e9m defender os meus direitos individuais<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>For a New Libertarian: <a href=\"https:\/\/mises.org\/blog\/new-libertarian\">https:\/\/mises.org\/blog\/new-libertarian<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma boa conversa no Facebook sobre \u201cdireita liberal\u201d na qual defendi a tese que n\u00e3o existe uma direita liberal (pois tenho como cren\u00e7a que para ser liberal de fato n\u00e3o deveria existir Estado e que no pr\u00f3prio termo \u201cdireita\u201d j\u00e1 est\u00e1 incluso a necessidade de existir um ente estatal) percebi que existem de fato [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[12],"tags":[25,38,37],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/168"}],"collection":[{"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":170,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/168\/revisions\/170"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}