{"id":13,"date":"2017-04-13T12:48:54","date_gmt":"2017-04-13T12:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=13"},"modified":"2017-04-13T12:48:54","modified_gmt":"2017-04-13T12:48:54","slug":"a-solucao-do-transporte-publico-passa-pela-seguinte-reflexao-menos-marx-e-mais-mises","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/?p=13","title":{"rendered":"A solu\u00e7\u00e3o do Transporte P\u00fablico passa pela seguinte reflex\u00e3o: menos Marx e mais Mises"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14\" src=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/3-300x161.jpg\" alt=\"3\" width=\"300\" height=\"161\" srcset=\"http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/3-300x161.jpg 300w, http:\/\/mpricinote.blog-dominiotemporario.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/3.jpg 744w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Primeiramente vamos fazer uma reflex\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao valor da tarifa uma vez que ela \u00e9 sempre o principal estopim das manifesta\u00e7\u00f5es relacionadas ao transporte p\u00fablico. Para isso faremos uma analogia em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o de um sorvete, ao contr\u00e1rio do pensamento comum, n\u00e3o est\u00e1 simplesmente em seus custos e num lucro que algu\u00e9m poderia ter explorando o consumidor e o trabalhador. J\u00e1 que o primeiro peda\u00e7o de R$ 7 \u00e9 mais impactante, e muitos consumidores poderiam pagar at\u00e9 R$ 5 apenas pelos primeiros peda\u00e7os. Ent\u00e3o enquanto o consumidor vai se saciando, o peda\u00e7o passa a valer cada vez menos, at\u00e9 que um excesso seria at\u00e9 negativo n\u00e3o sendo aceito possivelmente nem de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o ao Transporte P\u00fablico e o tempo\/hor\u00e1rio. Se a viagem te levar ao destino no tempo e hor\u00e1rios corretos o pre\u00e7o perde import\u00e2ncia (ver a revolu\u00e7\u00e3o do Uber, e o segredo est\u00e1 mais na sua agilidade em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00e1xi do que simplesmente no valor mais barato) entretanto quando o tempo\/hor\u00e1rio passam a n\u00e3o mais satisfazer at\u00e9 a viagem gratuita passa a ser \u201ccara\u201d.<\/p>\n<p>Com isso para satisfazer seus desejos, consumidores fazem pequenos ajustes na margem de decis\u00e3o, o que \u00e9 definido pela lei de utilidade marginal decrescente. \u00c9 por isso que produtos indesej\u00e1veis perdem seu pre\u00e7o no mercado, mesmo com custos de mat\u00e9ria-prima e m\u00e3o-de-obra em ascens\u00e3o (como no caso do Transporte P\u00fablico), e outros s\u00e3o t\u00e3o desej\u00e1veis que se tornam artigos de luxo mesmo sem o equivalente em custos (como no caso do Uber).<\/p>\n<p>Sendo assim o marginalismo como teoria de pre\u00e7o p\u00f5e em xeque a famosa teoria da mais-valia t\u00e3o presente nos nossos dias atuais (influenciado bastante pelo pensamento de Marx): n\u00e3o estando o pre\u00e7o do produto\/servi\u00e7o e o lucro da atividade meramente na explora\u00e7\u00e3o do proletariado e do consumidor e sim na rela\u00e7\u00e3o entre desejo\/necessidade e escassez no mercado<\/p>\n<p>E novamente podemos fazer um paralelo com o Transporte P\u00fablico que at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1990 era a \u00fanica forma de deslocamento no ambiente urbano o que fez com que o seu valor fosse superior aos pre\u00e7os aplicados pela tarifa p\u00fablica. Por\u00e9m com o crescimento econ\u00f4mico e facilidade ao cr\u00e9dito (anos 2000) e as novas tecnologias como Uber (anos 2010) fizeram com que o mercado da mobilidade virasse bastante competitivo e o pre\u00e7o \u00fanico e fixo adotado pelas tarifas do Transporte P\u00fablico est\u00e3o asfixiando e levando a morte o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e0 toa, regimes de gest\u00e3o calcados em princ\u00edpios \u201csociais\u201d caem fortemente no problema da escassez (derivado do equil\u00edbrio oferta\/demanda, uma vez que a demanda cai e o pre\u00e7o \u00e9 fixo a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 adequar a oferta), e sempre culpando amea\u00e7as externas ao sistema, no nosso caso o Transporte P\u00fablico, como o \u201clucro dos empres\u00e1rios\u201d \u00a0ou a \u201cCaixa Preta das tarifas\u201d mas nunca entram no cerne da quest\u00e3o que \u00e9 a falta de flexibilidade do sistema no qual n\u00e3o se pode aplicar pol\u00edticas de pre\u00e7os voltadas ao mercado e nem no modelo de equil\u00edbrio no qual em situa\u00e7\u00f5es de alta demanda o pre\u00e7o seria diferenciado em rela\u00e7\u00e3o a per\u00edodos de baixa demanda.<\/p>\n<p>A rigidez do Sistema Transporte P\u00fablico provoca dois erros fatais. O primeiro \u00e9 acabar com o poder decis\u00f3rio do consumidor, que pode adequar o seu planejamento, suas necessidades em rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edtica de pre\u00e7o\/oferta do Sistema de Transporte. O segundo, ainda maior, \u00e9 que os operadores, precisam satisfazer os consumidores na sua coletividade e n\u00e3o nos desejos\/necessidades individuais o que o torna cada vez menos atrativo e, portanto, menos competitivo em rela\u00e7\u00e3o a escolha para fazer determinado deslocamento.<\/p>\n<p>No sistema r\u00edgido como o atual, o operador n\u00e3o tem nem como conhecer a demanda caso queira (pois o foco est\u00e1 simplesmente em \u201coferecer para coletividade\u201d) e fica sem saber o que ofertar, j\u00e1 que a distribui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 compuls\u00f3ria e centralizada no Poder P\u00fablico (que determina a tarifa e, portanto, a oferta de servi\u00e7o, por\u00e9m isto \u00e9 discuss\u00e3o para outro artigo), e n\u00e3o pela livre escolha. \u00c9 o chamado problema do c\u00e1lculo econ\u00f4mico do socialismo.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o vari\u00e1vel, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas para aumentar o lucro dos operadores quando algo fica escasso. Pre\u00e7o como visto anteriormente \u00e9 consequ\u00eancia. Por exemplo, se o petr\u00f3leo entra em crise (guerra no Oriente M\u00e9dio), o pre\u00e7o do \u00d3leo Diesel aumenta para R$ 6 o litro em quest\u00e3o de dias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 porque o operador est\u00e1 querendo se aproveitar e lucrar mais (mesmo porque n\u00e3o lucra, com menos usu\u00e1rios dispostos e menos oferta). \u00c9 porque se n\u00e3o aumentar, muitas pessoas v\u00e3o utilizar subitamente o servi\u00e7o, o que geraria sobrecarga e a impossibilidade de atender a todos levando ao colapso (pois o custo de produ\u00e7\u00e3o aumenta sem ser refletido na tarifa aplicada).<\/p>\n<p>Ignorando tal mecanismo e apelando para uma suposta maldade de empres\u00e1rios, o pensar social nunca consegue produzir o que sua popula\u00e7\u00e3o demanda (devido ao simples foco no coletivo), causando sempre rigidez e escassez. Com oferta escassas e uma demanda variada entre milh\u00f5es da sociedade, o resultado s\u00e3o sempre \u00f4nibus na maior parte do dia vazios, e lotado em poucas horas do dia provocando a insufici\u00eancia da oferta nos hor\u00e1rios de pico e desperd\u00edcio nos hor\u00e1rios de entrepico. Tentativas de congelar pre\u00e7os agudizam o problema, tentando negar ainda mais a realidade atrav\u00e9s da for\u00e7a do veto e da canetada. Portanto para sairmos da atual crise do Transporte P\u00fablico devemos rever a pol\u00edtica tarif\u00e1ria e pensar Menos em Marx e mais em von Mises.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiramente vamos fazer uma reflex\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao valor da tarifa uma vez que ela \u00e9 sempre o principal estopim das manifesta\u00e7\u00f5es relacionadas ao transporte p\u00fablico. 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